Coluna do Zé · por José da Conceição Filho
Tesouros do Morro da Cruz
21 de julho de 2026
Nos primeiros séculos após o descobrimento do Brasil várias regiões foram exploradas pelos padres jesuítas, principalmente áreas geológicas propícias a conter ouro, prata e pedras preciosas. Além do conhecimento acadêmico em geologia, aprenderam com os índios a localizar depósitos naturais desses minérios, em rios, ribeiros e encostas rochosas de origem vulcânica.
A ilha de São Francisco também foi visitada por esses "cientistas religiosos" e um dos principais pontos ocupados foi o Morro da Cruz. Com mão de obra nativa,depois pelos escravos, exploravam ao redor da montanha cuja base era repleta de cavernas.
Voltando ao nosso tempo, muitos aventureiros tentam explorar a montanha, eu inclusive, sem muito sucesso, visto que uma floresta de urtigas bloqueiam a entrada das cavernas e grandes serpentes peçonhentas alí habitam.
Ouvindo minhas histórias, dois jovens aqui do Paulas compraram um detector de metais e partiram para a exploração. Não conseguindo acessar as cavernas, decidiram tentar a sorte no topo do monte, onde há mais ou menos dez metros a oeste da cruz, o detector acusou metal nobre.
Começaram a cavar e aproximadamente 80cm de profundidade, encontraram o tesouro.um taxo de cobre grande (bacia antiga) dentro do qual um belo sino de senzala em bronze e um badalo também em bronze ao lado do sino. A relíquia era usada como relógio para marcar horário de trabalho e refeições dos escravos.
Trouxeram o achado para minha análise, procurei alguma inscrição ou data que identifica-se a relíquia e nada havia sobre a origem da valiosa peça.
Antes que os jovens levassem o conjunto para avaliação em um antiquário, o pai do proprietário do detector resolveu fazer um conserto na parede de sua casa preparando a massa de concreto na bacia de cobre de 300 anos. Quanto ao sino e o badalo, não sei qual destino deram.
