Coluna do Zé · por José da Conceição Filho
O Ouro de Aluvião do Morro da Cruz
26 de setembro de 2026
Na primavera de 2006, cedo pela manhã, uma picape Hilux prata buzinava na frente de meu portão. Da varanda observei quatro homens no portão, dois conhecidos, irmãos aventureiros aqui do Paulas, outros dois desconhecidos, um alto, claro, de cabelos longos. O último com feições indígenas.
Logo me informaram que queriam explorar minérios no morro da cruz com potentes aparelhos de detecção.
Como adoro aventuras, topei. Vesti roupas e calçado adequado e lá fomos nós.
Descemos a BR 280 pela face norte do monte, cuidando no brejo ali existente onde serpentes caçam rãs, sapos e ratos. Começamos a subir acompanhando um pequeno córrego que descia do paredão.
Com o potente detector ligado, regulado para detecção de ouro, logo o alarme soou, sinal forte sempre próximo ao córrego. O cabeludo indígena que apenas era chamado por irmão, exclamou :- É preciso sinalizar o término do sinal para calcular a profundidade do precioso metal. Porém o sinal continuava seguindo à encosta íngreme da montanha.
O batedor da expedição era o agora comprovado índio kaigang de Ibirama abrindo caminho com facão. De repente, apareceram muitas tocas nas bases de árvores às margens do córrego. O índio então informou que eram tocas de grandes cobras e que era perigoso continuar a subida. O dono do aparelho insistiu em continuar um pouco mais a exploração, o que foi feito.
Até que nos deparamos com uma enorme jararacuçu, armada, pronto para dar o bote em quem se aproximasse. Citaram matar a serpente, o índio garantiu que outras apareceriam.
Enquanto discutiam o que fazer, comecei a explorar a área. Encontrei dois túmulos de pedras centenárias com gigantescas árvores deslocando as pedras, prova da ocupação jesuita na região há mais ou menos 3 séculos atrás. Cheguei próximo ao paredão rochoso, havia grandes cavernas cercadas por urtiga brava impedindo a entrada.
Resolveram abortar a pesquisa. O irmão, morador de Tijucas, afirmou que era ouro de aluvião, filão, que pode percorrer kilometros como ocorre em minas. Estas formações datam de milhões de anos quando havia atividades vulcânicas expelindo metais pesados para a superfície por toda a terra.
Falei que antigos moradores das redondezas e outros da Vila da Glória afirmavam que aconteciam coisas estranhas nas águas da baía, cruzando toda extensão das águas no sentido norte até o local chamado Saquinho na praia bonita. Provavelmente, anomalias magnéticas.
O tesouro continua lá, guardado por serpentes e urtigas.
